domingo, 11 de outubro de 2015

Apoteose da Dança: um Sucesso do Corpo de Baile do TMRJ





“Foi Richard Wagner quem identificou na Sétima Sinfonia de Beethoven uma música de forte apelo coreográfico, a ela se referindo como a ‘Apoteose da Dança’. Aquilo que Wagner percebeu como qualidade essencial da Sétima Sinfonia encontrou em Uwe Scholz o seu melhor tradutor. Apresentamos também Age of Innocence, que o jovem coreógrafo taiwanês Edwaard Liang criou para o Joffrey Ballet de Chicago, em 2008, e que foi qualificado pelo The Times como ‘uma coreografia de alta potência’. Queremos ainda exaltar os méritos de nosso Corpo de Baile, agora sob a liderança segura das primeiras bailarinas Ana Botafogo e Cecília Kerche”, comenta o maestro André Cardoso, diretor artístico do Theatro Municipal.






Com duas coreografias de tirar o fôlego, o Ballet do Theatro Municipal apresenta, com maestria, o espetáculo Apoteose da Dança. O primeiro ato conta com Age of Innocence, com músicas de Philip Glass e de Thomas Newman, e coreografia de Edwaard Liang, que a concebeu em 2008 para o Joffrey Ballet (Chicago), inspirado no romance The Age of Innocence, de Edith Wharton, e por livros de Jane Austen, que descrevem uma mulher que não tinha voz própria e mantinha contato muito limitado com outras pessoas, principalmente, com os homens. É um balé sobre relacionamentos, cuja coreografia traz a expansão e a respiração de uma obra contemporânea.

O segundo ato nos apresenta Sétima Sinfonia, com música de Ludwig Van Beethoven e coreografia, cenários e figurinos de Uwe Scholz. A obra foi criada por Uwe em 1999 para a companhia alemã Leipzig Ballet, tem 16 casais vestidos de branco. As entradas e saídas de grupos são frequentes e o coreógrafo se apropria desta movimentação para criar formas geométricas variáveis, em formações como triângulos.






Os primeiros bailarinos Cláudia Mota, Márcia Jaqueline e Francisco Timbó, além dos solistas Déborah Ribeiro, Karen Mesquita, Priscila Albuquerque, Priscilla Mota, Renata Tubarão, Cícero Gomes, Edifranc Alves, Filipe Moreira, Moacir Emanoel e Rodrigo Negri irão se revezam nas duas coreografias ao longo das quatro récitas nos dias 8, 9, 11 e 12 de outubro.

Com regência de Tobias Volkmann e nuances de tirar o fôlego, o espetáculo segue nos surpreendendo a cada momento com movimentos de difícil execução técnica que deixam o público ansioso a espera do movimento seguinte e assim por diante. Há uma grande sintonia entre plateia e elenco, ambos se entregando de corpo e alma às músicas de Beethoven, Philip Glass e Thomas Newman que nos fazem embarcar cada vez mais afundo no espetáculo. A perfeição técnica não esconde a emoção passada por cada bailarino que, além disso, apresenta-se em harmonia com os outros. O Corpo de Baile mostra-se integrado e coeso, e o que se vê no palco é um grande corpo dançante que arranca sorrisos e aplausos entusiasmados do público. Esse mostrou-se encantado e feliz de poder assistir o ballet do theatro municipal em sua melhor forma. Merece aplausos de pé.






O espetáculo “Apoteose da dança” marca a estreia de Ana Botafogo e Cecília Kerche como as novas diretoras do corpo de baile do Theatro Municipal. Dois grandes nomes que hoje são responsáveis por dirigir a companhia de ballet clássico da qual foram e serão nossas eternas primeiras bailarinas.








“Nos últimos dois meses, descobri que dirigir verdadeiros artistas de corpo e alma é também uma arte. Sinto-me uma aprendiz, mas com uma bagagem de veterana! Sinto-me desafiada, energizada, mas confiante que com serenidade e muito trabalho conseguiremos, juntos, um resultado cada vez melhor” Ana Botafogo




“Nesta nova etapa, não tenho um caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar, que proponho aos bailarinos que queiram sonhar coisas impossíveis e seguir livremente na direção de seus sonhos.” Cecília Kerche




 Giulia Rossi e Jessica Ramos


Nenhum comentário:

Postar um comentário