terça-feira, 24 de maio de 2011

Contusões

    Uma realidade tão comum na vida dos bailarinos... Mas por ninguém desejada!As contusões são freqüentes na vida de qualquer atleta e é necessário grande atenção para as mesmas, muita paciência e mais do que tudo: superação. O tratamento eficiente e fundamental, pois sabemos que o tempo é precioso, assim como , uma nova conscientização corporal. Todavia como evitá-las? Como tratá-las e superá-las? Escrevo este artigo querendo esclarecer esta realidade, através de conversas com bailarinos e fisioterapeutas.
   Na maioria dos casos, o bailarino não reconhece sua lesão e ultrapassa o seu limite. Diferentemente das dores comuns (por conta de cansaço e excesso) as contusões limitam os movimentos naturais, gerando compensações e estalos estranhos, e doem constantemente mesmo em ações simples como andar e deitar.  No caso de Alice, aluna do primeiro técnico da nossa escola, cuja lesão foi uma tendinite no pé direito (hoje recuperada), diz se arrepender por ter forçado tanto antes de se tratar: “O limite foi quando eu acordei e não conseguia mais andar” diz ela. Ficou então, um mês parada, fez fisioterapia e tomou os medicamentos necessários. Uma das causas de sua tendinite foi o fato de ter uma perna muito mais forte que a outra: “Temos a mania de marcar sempre com a mesma perna, ou repetir o passo para um lado só. Aprendi muito com o fortalecimento que eu fiz”. Lívia, aluna do segundo técnico, teve um caso diferente. A lesão parcial do ligamento do joelho esquerdo foi algo de repente, difícil de ter sido evitado. Afirma que estava trabalhando bastante, mas somos bailarinas e o trabalho intenso é fundamental. Lívia teve um longo processo: ficou duas semanas sem nadar, e logo depois iniciou a fisioterapia. Após dois meses, começou a fazer Pilates e trabalhos de fortalecimento, no terceiro mês começou a fazer a barra (nas aulas de ballet) e no quinto mês, já fazia a aula toda. Hoje, Lívia esta plenamente recuperada e afirma conhecer muito mais o seu corpo e ter amadurecido muito: “Abriu o meu campo de trabalho. Conheci coisas alem das aulas de ballet que ajudam no meu progresso.”
   Conversei com a fisioterapeuta Cristiane Dardenne, mestre em Saúde Publica na área de Planejamento e Gestão de Sistemas de Saúde; e bailarina, com formação em dança moderna (Universidade de Washington, Seattle; e em Nova York com Técnicas Graham, Cunninghan, Evans, Horton, Nikolais, Laban etc.).  Assim, com sua experiência, a Dra. conhece a realidade de um atleta, sob a ótica profissional de fisioterapeuta e, pela vivência pessoal como bailarina. Perguntando para ela quais seriam os “erros” mais comuns em bailarinos, Dra. Cristiane deu ênfase aos vícios posturais, compensações e desvios comprometedores do conjunto pelve, quadril, coxas, pernas e pés: “O corpo humano obedece a leis mecânicas e biológicas, e como qualquer maquina precisa ser compreendido para que seja bem cuidado. O problema das contusões e que este processo ao se cronificar, sem o cuidado adequado, pode levar ao quadro de tendionopatias, capsulite, bursite e instabilidade articular. Muitas vezes o corpo é sobrecarregado.” A Dra. ainda ressalta:” Em termos de recomendações, um esforço conjunto entre os setores públicos e privados voltado a prevenção que envolva desde a capacitação de educadores físicos, técnicos e professores de ballet, até a elaboração de programas educativos que busquem conscientizar a parte da população, que se propõe a ser atleta, de que o corpo tem limites que deverão ser respeitados e que no desejo de superá-los o processo devera ser lento e cuidadoso”.
   Segundo o livro: “The Healthy Dancer, ABT Guidelines for Dancer Health” , as principais medidas de prevenção de contusões são:
1-  Aquecimento antes do exercício: Ao contrario do que muitos acham, este não se resume a alongamentos do tipo spaccate. É recomendado exercícios de fortalecimento e para “soltar” a musculatura, tipo abdominais, flexões, movimentos circulares nos pés, quadris, pescoço, virilha etc. Os demais alongamentos para flexibilidade são recomendados depois da aula, e entre a barra e o centro.
2-  Alongamentos após a aula, englobando todas as partes do corpo.
3-  O trabalho consciente: conhecer o seu corpo, suas limitações, dificuldades etc.
4-  Cuidar de si próprio: neste item entra o descanso com uma recuperação muscular, o sono, a alimentação etc.
O livro ainda ressalta o risco da automedicação (dependência de relaxantes musculares e antiinflamatórios não é a solução) e sugere, massagens, bolsa de água quente e gelo para a recuperação muscular.
   Finalmente, é importante lembrar que a condição psicológica é parte fundamental da recuperação. Acreditar que o momento da lesão vai ser superado, que você vai voltar ao seu trabalho desde que siga as recomendações dos profissionais de saúde e tenha paciência para superar este período.

Por Júlia Gil

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